sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

A ESPERA


As estrelas brilhavam no céu escuro e no silêncio da noite meu corpo débil gelava ante o frio da madrugada. Não conseguia dormir, era comum a insônia naquela época de verão, e o consciente forçava minha mente à meditação e recordações na solidão do meu quarto. Ao longe podia-se ouvir o murmúrio das ondas do mar debatendo-se nas rochas. A noite, o coração anima os sentidos e geralmente nos sentimos inclinados a recordações, porém o corpo agonizava por um sono perfeito, mas a mente teimava em emitir imagens sem significação real, levando a um certo medo. Naquela hora, alguns homens rudes deviam estar em alto mar, desafiando a vida e o mar bravio para levar as suas famílias algo que comer e eu inquieto não conseguia dormir. Resolvi então, tomar um sonífero e logo o sono me venceu. Sonhei naturalmente, vivenciando algo tão real, naquelas imagens: estava a andar por um bosque imenso, um grupo de guerrilheiro conversavam, quando perceberam-me e logo começaram a perseguir-me, eu fugia, tinha medo que me matassem, em determinado momento percorri túneis estranhos e intermináveis, caindo num enorme buraco sem fim, acordando naquele exato momento, sentindo todo o meu corpo suado e cansado, o dia estava amanhecendo.
Fiquei parado na cama, pensativo, por alguns segundos, logo espriguicei-me, tomei um banho, vesti uma roupa e deliciei-me com um bom café, saindo em seguida. Atravessei a rua, sentindo certo frio, ainda era cedo. Um ônibus se aproximava, subi e sentei-me a esmo, estava parcialmente vazio. Percebi que as pessoas possuíam um semblante cansado e de evidente solidão. Da janela observava a  paisagem,  o mar era tão lindo e constante do lado de fora . Lembranças do passado atormentavam-me, amava Licia, sua maneira de ser, de falar sem medir as conseqüências, seu jeito meigo, de voz terna, sensível, com todos os predicativos que animam os apaixonados. Sorrir ante a lembrança daquela mulher. As ondas no mar deliciosamente chegava a areia como se fossem pétalas caídas em um jardim. Senti uma enorme vontade de descer do ônibus e tocar os pés naquela areia, e assim o fiz. Aquele cenário matinal contagiava minha alma, inclinando-me a poesia e ao relaxamento espiritual, a uma melancolia  que só é acometida pelos que encarnam o amor, num romantismo sedutor, evidenciando o quanto minha energia feminina era presente e forte. Como uma miragem Licia apareceu na praia, minha mente desgovernadamente comandava minha vontade e repentinamente corri ao encontro daquele vulto, tocando seu braço com força, surpreentemente aquela pessoa que via o rosto de Licia, era nada mais nada menos que uma velha amiga do ginásio, que assustou-se com a minha atitude, não compreendendo porque eu a segurava com tanta força. Pedi, imediatamente desculpas, que ela gentilmente concedeu. Deixei-a um tanto pensativa, e em seguida deitei meu corpo ofegante naquela areia, sentido o prazer de estar naquele lugar , aquela hora. Por uns momentos fiquei meio zonzo, e meus pensamentos novamente levaram-me a Licia, minha Licia. E logo versos poéticos surgem em minha lembrança: ...
”Cada esquina de qualquer cidade...
Te vejo
Aonde quer que eu vá
Permanentemente nos meus olhos tu apareces
Como se fosse durar toda uma eternidade
Em cada bar que eu sente,
Onde eu peça bebida, logo sinto o teu cheiro
Na minha casa, no meu quarto
Lendo um livro ou a meditar
Quando corro, quando choro
Quando sorrio
É tu que percebo na minha mente
Ou até mesmo quando as estrelas cintilam
Longe ao céu
Ou quando a lua desponta mágica
No enorme  horizonte
É tu que invade meus pensamentos
E me retém...”
Desperto daquele transe,  volto a caminhar pela praia, entristecido com a realidade. Mas tinha que continuar a vida, voltar ao trabalho. Descobriu que estava perto do escritório e poderia ir caminhando até lá. Seu escritório, uma pequena sala, um tanto úmida, alguns papéis sobre a mesa, junto ao retrato de Licia, podia ainda ver a carta de despedida. Senti certa angustia e naquele momento não pude controlar uma lágrima rolada. Ela o tinha abandonado, dissera que estava apaixonada por outro e que nunca o amará, que não teve culpa por sentir-se atraída por Rogério, assim que o viu, pedia para que ele entendesse e não guardasse mágoas. Já  havia passado 01 mês, e a presença dela ainda era forte na sua vida. Não conseguia trabalhar adequadamente, e a idéia de férias a cada dia lhe perseguia. Sentou-se na poltrona, fechou os olhos e a mente o levou a um lugar cheio de eucaliptos, onde o vento balançava seus galhos e o sol declinava-se naquele vale. Alguns metros e lá estava um córrego cristalino, onde podia-se ver  peixes a nadar. Ao redor da mata de eucaliptos exalava um aroma agradável, e uma vontade de viver penetrou em sua alma. Despertou daquela magia com o som do telefone. Um cliente, lembrava-lhe o compromisso, daqui a algumas horas teria um almoço para fechar mais uma venda. Trabalhava com imóveis, montara um pequeno escritório e este ultimamente lhe rendia uns bons dividendos, nunca imaginara que em menos de dois anos pudesse comprar o seu próprio apartamento, e logo compraria um carro. Chegou aquele cidade aos 18 anos com a idéia fixa de vencer, de fazer valer todos os esforços que seus pais haviam depositado em si, e que de alguma forma precisava retribui. Terminou o 2º grau, e fez o vestibular para Direito, não conseguindo aprovação, mesmo assim não desistiu, fez cursos de informática, começou a procurar emprego e estudava em casa até tarde da noite. Tinha em mente Ter nível superior, precisava mostrar a seu pai, sentia prazer em dar certo orgulho aquela criaturas que tanto se sacrificaram para que estudasse em bons colégios e lhe dado uma educação adequada. As vezes  questionava  as  metas que havia traçado para si, e se este propósito lhe levaria realmente a algum lugar. Lembrou-se então, de um artigo lido certa feita,  que permite certa reflexão:
... Há alguns anos, nas Olimpíadas Especiais de Seattle,  nove   participantes, todos com deficiência mental e física, alinharam-se para a largada da corrida dos 100 metros rasos. Ao sinal, todos partiram, não exatamente em disparada, mas com vontade de terminar a corrida e ganhar. Todos, com exceção de um garoto, que tropeçou no asfalto caiu rolando e começou a chorar. Os outros  oito ouviram o choro. Diminuíram o passo e olharam para trás. Então eles viram e voltaram. Todos eles. Uma das meninas, com Sindrome de Down, ajoelhou, deu um beijo no garoto e disse: - “Pronto vai sarar”.
E os nove competidores deram os braços e andaram juntos até a linha de chegada. O estádio inteiro levantou e os aplausos duraram muitos minutos. O que importa nesta vida é mais do que ganhar sozinho. O que importa nesta vida é ajudar os outros a vencer mesmo que isso signifique diminuir o passo e mudar de curso.
Agora, novamente só, entre os papeis da  mesa, e com um enorme vontade de fugir das experiências profissionais, arejar, descobrir novos lugares, conhecer novas pessoas. Era isso que iria fazer, após o almoço, assim que terminasse de fechar mais uma venda, iria para casa arrumaria a mochila, levaria pouca roupa e descobriria esse Brasilzão, deixaria para escolher a cidade no aeroporto.        
 Um mês havia se passado, e Ouro Preto era uma cidade muito linda, lembrava o século passado, uma magica maneira de viver que deixava deslumbrado. Amanhã pegaria um ônibus para BH, desde que chegara no estado de Minas, sentia-se atraído por conhecer essa cidade. A noite, como era seu costume, foi ao bar tomar um drinque antes do jantar, naquela noite a lua cheia encantava as ruas e alguns violeiros tocavam  uma música muito romântica. Observava a lua e as estrelas, quando uma voz muito doce encantou o lugar, chamando sua atenção.
-         Sr. Leocadio, por favor o drinque de sempre.
-         Sim, senhorita Laura. Como foi a viagem? E BH, continua movimentada?
-         Tudo normal, a faculdade é que me cansa muito, ainda bem que esse feriado vai dar para relaxar um pouco e nossa cidade tem muita paz.
Aquela voz daquela linda mulher, fez com que meu coração disparasse, enfeitiçando  minha  alma. Cresceu em mim uma  enorme vontade de tocá-la e misteriosamente fui  conduzido até o bar. Sabia  que de alguma maneira procuraria tentar um dialogo, e teria que vencer a timidez. Sua forma sensual, me impulsionavam a não desistir e ir em frente. Pela primeira vez, depois de alguns meses da separação senti certa atração por alguém, era a primeira vez que meu coração disparava ante a presença de uma mulher que não fosse a Licia. Agora, tinha certeza, que poderia ser feliz novamente.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A LUZ DA ESPIRITUALIZAÇÃO

                                                      Tudo que tenho escrito, tem um simples propósito que é o da reflexão, através de histórias e estórias singulares acerca do ser humano e suas limitações , seus desejos, medos e incompreensões tão inerentes em nossa alma. Entretanto nesse momento me sinto limitada  para escrever sobre alguém, alguém que em boa parte de sua vida foi dedicada a dar alegria aos seus semelhantes através da arte musical de uma invenção frenética utilizada em tempos de carnavais: o trio-elétrico.
                                                      Conheci Osmar Macedo, em 1980, na época estudava parapsicologia, tentava entender a alma do homem e seus fenômenos tão surpreendentes quanto incompreensíveis, os distúrbios da mente como a dupla personalidade e fenômenos extra sensoriais um tanto comum, mas de difícil explicação ou de uma coerência racional. A clinica a qual conduzia aquelas experiências, pertencia a Dr. Eliezer Cerqueira Mendes, situada no Garcia, um dos bairros de Salvador. Várias pessoas frequentavam, eram chamados de sensitivos, entre eles Hebe, que desenvolvia uma personalidade inteiramente estranha quando em transe hipnótico, alguns momentos dizia ser uma índia, entoava cantos e tinha uma linguagem selvagem, em outras ocasiões era uma cigana espanhola. Hebe, esposa de Osmar Macedo, inventor do trio-elétrico, músico e compositor.
                                                    A parapsicologia é um novo ramo da psicologia, que como afirmei anteriormente estuda fenômenos de natureza estranha ao racional humano, são forças ‘ocultas’ manifestada no homem. Toda aquela fenomenologia evidenciada nas sessões hipnóticas, chamava-me muito minha atenção, despertando uma enorme vontade de conhecer mais e mais àquele respeito. Era importante que mantivesse um conhecimento com aquelas pessoas manifestadas, mas não tinha idéia de como poderia chegar até aqueles sensitivos, em especial Hebe, que até então não tinha a menor idéia de quem se tratava. Entretanto a vida nos reserva muitas surpresas, assim um dia sem nenhuma explicação, meu pai convidou-me a passar um dia na casa de uma pessoa que tinha certos poderes e que poderia me ajudar nas manifestações que havia se passado comigo, e que eu não tinha explicações lógicas para o fato, e que essas manifestações jamais tornariam acontecer caso seguisse certo ritual. A curiosidade falou mais alto e fui aquele local. Não sabia o que iria acontecer e de quem era de fato aquela casa.
                                                   Destino ou causalidade me levaram a conhecer Hebe, Osmar Macedo e seus filhos. Aquela aproximação me levaria a conhecimentos importantíssimos, como também a um crescimento interior e amadurecimento do meu próprio ser. Naquele dia , nada do que imaginava encontrar aconteceu, meu pai tomava cerveja com Osmar e Hebe, enquanto eu e sua filha nos deliciavamos na piscina, mergulhando e brincando animadamente, na maior descontração. Meus problemas e suas soluções ficariam para mais tarde ou talvez um outro dia. Minha faculdade sensitiva poderia esperar,  para que pudesse desenvolvê-la adequadamente, isso se eu quisesse de fato. Particularmente, depois de ter vivenciado episódios que desencadearam  sensações estranhas que Dr. Eliezer, afirmava ser  de  uma   faculdade  sensitiva desenvolvida por mim, e que  alguns espiritas afirmavam ser a mediunidade.
                                                   Naquela casa, naquela piscina, aquela suave sensação de prazer desencadeara em mim, a certeza de já ter vivido com aquelas pessoas em algum momento de minha vida, ou até mesmo uma premunição do futuro, vivenciada em meus sonhos. Essa faculdade de conhecimento do futuro, estudada na parapsicologia, já comprovada cientificamente, através de fatos reais mensuráveis. Um exemplo famoso foi do naufrágio do navio “Titanic”, acontecido na noite de 14 para 15 de abril de 1912. O Sr. J. O’Connor  tinha reserva de passagem para si e para sua família, mas , uns dez dias antes da data destinada à saída do navio, O’Connor sonhou com a quilha do navio ao ar e a bagagem dos passageiros flutuando ao redor. Assustado, não contou para sua família, entretanto o sonho se repetiu na noite seguinte. Procurou saber se havia possibilidade de retardar sua viagem, com a confirmação da América, decidiu dar ouvidos ao sonho e mandou cancelar sua reserva no “Titanic”. Pode, então contar o sonho aos amigos, como uma explicação ao cancelamento da viagem. Não queria correr riscos, uma vez que a viagem não era urgente. O caso foi referido pelo próprio protagonista à Society for Psychical Research de Londres. Além disso foi apresentado por escrito o testemunho de seus amigos, como também a apresentação dos passaportes e as reservas das passagens. Assim ficou evidenciado que de certa maneira algumas pessoas possuem sensibilidades incomuns.                                                      A amizade com a família Macedo se consolidava, participava de algumas manifestações da cigana espanhola, uma das personalidades intrusas manifestada por Hebe, e de momentos com a índia. Tudo era muito fascinante. Osmar não participava das reuniões, sempre ocupado às voltas com sua música. Ele criou o trio-elétrico em 1950, junto com o amigo Dodô, naquela época eles saiam em uma fubica eletrizante, com o passar dos tempos foram evoluindo e hoje, o trio-elétrico  é uma marca no carnaval da Bahia. Osmar Macedo sempre gostou de música, e desde os 12 anos tocava e criava canções, como muita humildade diz: “eu não sei muita coisa, ainda tenho muito que aprender”. Com mais de 60 anos ele distribui muita energia e calor humano, sempre contagiando às pessoas que o cercam e de modo especial o povo baiano em tempos de carnaval. Homem simples, em nada orgulhoso, pai de dois filhos do 2º casamento, possuindo uma família harmoniosa.
                                                      Continuava a freqüentar à clinica , as sessões de relaxamento e disciplina da mente, aquietara minha vontade voraz de conhecimento. A amizade com Hebe e Rita que de vez enquanto freqüentava à clinica consolidou-se. E sempre que podia, ia até sua casa ouvi-la a tocar alguma música no piano, como o pai ela tinha o dom para aquela arte, o tempo e sua própria disciplina ia mostrar a todos sua capacidade. Na clinica continuávamos com as experiências. Certa vez tentamos fazer uma regressão com um dos sensitivos, e este aos poucos foi relatando fase por fase vivenciada, até a saída do útero, a libertação, depois seu retorno a uma época passada, as suas dores e alegrias. Era sempre um momento de grande tensão, e Dr. Eliezer estava sempre presente, dando o suporte no que fosse necessário.
                                                        O tempo passou e as experiencias continuaram até que um dia a noticia de que a clinica fecharia, e que Dr. Eliezer retornaria a S. Paulo para lá continuar suas investigações, deixou a todos  entristecidos,  não  mais poderíamos nos reunir e discutir sobre tudo que nos parecia anormal e que tínhamos dificuldades em explicar. As experiências em casa de Hebe, também com o tempo não mais aconteceram, e um dia minhas idas foram escasseando, até não mais existirem. Todas essas experiências proporcionaram um real  crescimento interior resultante de uma energia positiva desprendida no percurso de toda aquela investigação cientifica. Alguns desses resultados estão detalhados nos livros do parapsicólogo o Dr. Eliezer Cerqueira Mendes. Foi uma epoca de grande conhecimento e que alicerçou toda minha trajetoria nas escolhas que teria que fazer para continuar o que chamo de experiencia de vida, no desejo insano de cada dia alcançar a luz da espiritualidade e no maior dos encontros com o supremo, eternizando meu ser a serviço dessa LUZ.

                                                                   
                                                   

sábado, 8 de janeiro de 2011

DESCONHECIDA

Sol forte, desejo...
Pessoas ao léu debruçadas
Mar cristalino
Vontade de existir e coexistir!!!!

Desejos marcados...
Por rostos desconhecidos
Ao longe as nuvens se confundem com mar
Brancas e limpidas...

Ela...ela sorrir
Um sorriso atonito, indefinido
Como uma menina inocente
Imaculada pelo meu desejo!!!


Meus olhos turvam e contemplam sua beleza
Ela, sussurra palavras ao vento
Como um murmurio do mar
Que se debate no Pier...

E vem o desejo,
de toca-la, de sentir sua pele..
Entretanto, meu sentido vagueia pelo seu corpo
Num instante,
Num extase infinto, alheio a tudo
Sorrio..
Pois sei que aqui na minha mente,
Ela é minha,
A desconhecida do Pier!!

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

UM BARBARO NO MUNDO PERFEITO

Sou guerreiro, tanker
Sou forte, incondicional muralha
Que suporta adversidades...
Sou mutante, mudo de forma
Viro fera, viro tigre
Agil e felino
Esmagando meu inimigo...
Sou racional, ataco e mordo
Não paro, nao desisto
Nem se meu corpo não aguentar...
Sou imortal combatante
Sou fera que fere a guarda dos inimigos...
Sou barbaro do mundo perfeito!
Suporto ataques de mil monstros
Sou admirado
Por suportar e resistir a eles
Numa PT eles confiam
Que suporte os malditos
Confio minha vida felina..
Pois sou barbaro, sou mutante
Sou docil como menino
Feroz e tenaz feito um gigante...

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

LÁ VAI... LÁ VAI... VAI O DIA...

                

Noite sombria,
Cálidas estrelas no céu
Sussurra o vento gélido
Mãos se tocam, acariciam-se
Árvores desfolham
E o dia se vai...

Agitam as ruas sons surdos,
Um gemido ao longe ressoa aos ouvidos dos amantes
Trocam carinhos e abraços apertados
Gritam os homens do lixo
E o dia se vai...

Um cachorro abana o rabo
Quedando-se aos pés dos apaixonados
Beijam-se ardentemente
Late o cão
E o dia se vai...

Silencia a rua,
Agora só restam os sons noturnos
Despedem-se os namorados
Chega o sono e,
Lá vai... Lá vai... vai o dia.

VIVER

A rua estava meio deserta, poucos carros, pouca gente em frente aquela praça enorme, o teatro que sempre estava cheio, hoje ao contrario mal se via uma viva alma na bilheteira, apenas o homem do coco, displicente sentado cochilando. Do lado a banca de revista, parada junto a ela uma menina em sua cadeira e rodas, menina de um semblante dócil, aspecto meio carregado um sofrimento, mas tranquilizador conformada com sua condição deficiente, junto a  sua cadeira uma senhora jovem, cansada pelo tempo lia algumas revistas. A menina de olhinhos negros deveria ter seus 17 anos, parecia ter o olhar perdido. A passos lentos fui me aproximando e fui tomado de uma vontade enorme de conversar com aquela dócil menina.

Fiquei ainda alguns minutos parado como se tomasse fôlego para tomar a iniciativa de um dialogo. Meus olhos encontram o dela, que pareciam tão profundos como verde-azul do mar. Sorri e ela instintivamente retribuiu ao meu gesto.
- Olá, feliz natal menininha...
- Feliz natal moço
Sua voz parecia embargada, meia tremula, mas de uma conotação forte e decisiva.
- Comprando revistas?
- Não, esperando minha mãe
- Podemos conversar um pouco? Não me leve a mal, mas não sei por que você me chamou atenção, e inexplicavelmente sentir uma enorme vontade de lhe falar, saber como  ficou nessa condição.
- Não gosto muito de falar sobre estes assuntos, mas não sei...posso contar ao Sr.
Perto da banca havia um banco de jardim na praça, gentilmente solicitou que a levasse ate la, pois a historia demoraria um pouco e não queria que ficasse em pé por tanto tempo.

Larrissa era seu nome, com os olhos embargados começou a referendar sua historia. Sempre vivera no interior de Goiás, estudava na única escolinha da cidade, desde os 06 anos. Gostava de ler e de compartilhar conhecimentos. Todos os dias pegava a estradinha de barro da sua casa no sopé da colina ate a cidade, sentia felicidade em ir todos os dias a escola aprender, sonhava em um dia ser uma cientista. Aos 09 anos, já tinha concluído o primário e ingressava no ginasial, sempre fora inteligente e vivaz. Descia a estradinha como de costume, quando ao longe avistou um homem barbudo e careca que lentamente se aproximava, logo sentiu certo receio, sentiu seu coração acelerar pois nunca o vira pelas redondezas, mesmo assim continuou firme seu percurso. Não se deu conta qual instante aquele homem ficou a sua frente impedindo sua passagem, olhou bem nos seus olhos e este falou: "menina aonde  você vai?" "porque você estar sozinha nesta estrada?" O temor foi crescendo dentro do seu coração e não teve palavras para responder aquelas perguntas, apenas o encarou. "Responda, vai ficar ai, me olhando?" Tremula e com as mãos já frias, respondeu timidamente: "estou indo a escola, e o Sr. que faz por estas bandas, longe da cidade?"
Depois dessa frase não lembra de mais nada, acordou no hospital com dores por todo o corpo e o olhar assustador daquele homem em suas lembranças. A policia por diversas vezes tentava fazer com que se lembrasse dos detalhes e o que de fato aconteceu, mas sua mente insistia em bloquear. Seus pais e irmãos estavam sempre por perto, vez por outra via os olhos cheio de lágrimas de sua mãe e que inexplicavelmente dias mais tarde saberia da sua triste realidade e do por quê daquelas lágrimas.
Nunca conseguiram localizar o agressor, foi encontrada desacordada na beira do riacho  a kilomentros de distancia de onde lembrava ter falado com aquele sinistro homem, no exame de corpo e delito foi constatado estrupo seguido de vários traumas na região da bacia, onde atingiu a coluna resultando na deficiência, segundo os médicos não voltaria a andar.
Ali na praça observando aqueles doces olhos e ouvindo toda a historia de Larissa tive a certeza que ela jamais deixará de lutar, que suas pernas um dia obedecerão a ordem de sua mente e voltara finalmente a sentir a docilidade da liberdade que é o ir e vir.
A Sra. que estava a uma certa distancia de nós dois se aproximou e com um sorisso, levou a pequena Larrissa em sua cadeira de rodas.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ABSTINÊNCIA ANTES DO CASAMENTO


Na pesquisa realizada pelo pesquisador Dean Busby, foi observado que pessoas que praticaram abstinência até a noite do casamento deram notas 22% mais altas para a estabilidade do relacionamento. As notas para a satisfação com o relacionamento foram 20% mais altas entre casais que esperaram, assim como as questões sobre qualidade da vida sexual (15% mais altas) e comunicação entre os cônjuges  (12% maiores).
A questão é, relacionar-se ou não sexualmente antes do casamento pode produzir inadequação nas relações? Penso que mesmo com base em pesquisas feitas, o fato de ter ou não uma relação antes do casamento necessariamente não determinara a durabilidade do afeto entre o casal e de sua sexualidade.
Segundo o sociólogo Mark Regnerus, da Universidade do Texas, autor do livro Premarital Sex in America, acredita que sexo cedo demais pode realmente atrapalhar o relacionamento. "Casais que chegam à lua de mel cedo demais - isso é, priorizam o sexo logo no início do relacionamento - frequentemente acabam em relacionamentos mal desenvolvidos em aspectos que tornam as relações estáveis e os cônjuges honestos e confiáveis."
Mas o que se pensar dos casais do tempo de minha avó? Onde o discurso das mulheres em sua grande maioria é de que era inadequadas, infelizes em sua vida sexual? Sofriam agressões morais e físicas quando não satisfaziam as vontades de seus homens e ou quando o desejavam e ensaiavam atitudes que somente as mulheres da luz vermelha (como eram referendadas as prostitutas) executavam nas suas praticas sexuais.
Creio que a liberação sexual feminina veio sim ajudar a dar o casamento uma escolha mais perfeita, mais justa e uma certeza para uma convivência plena, num discurso de dialogo que ate então não era produzido nos lençóis das camas.
A liberação sexual que me refiro, é aquela consciente, sem promiscuidade, sem exageros e nem comparativos masculinos nos padrões estabelecidos, apenas a mulher tem o direito de conhecer o homem a quem um dia devera dedicar seu afeto e muitas vezes sua vida, numa sincronia sexual adequada. Se este ou aquele não é adequado, ela deve prosseguir na busca de sua satisfação, sem contudo se violentar por isto.
Se escolher a abistencia que seja uma escolha, uma opção e não uma imposição como foi vista e pregada no passado. 

domingo, 26 de dezembro de 2010

FAMILIA DRAGON

CAPITULO III


Com a morte da mãe, delegamos em comum acordo que Kelvink e Angel estaria a frente das decisões e resoluções sobre os problemas que viessemos a enfrentar, ele e ela tendo a palavra final. Afinal eles  sempre foram pessoas sensatas e fortes para liderar a familia. Após nossa escolha, foi feito o inventario e partilha dos bens. Concordamos que ficaria na mão a administração de Kelvink e qualquer coisa que precisasse recorreriamos a ele. Com a morte de nosso avós por parte de mãe, ela como filha única receberia todo o legado, assim herdamos um lindo Castelo além da cidade Espada, já nas imediações da cidade Dragão. Junto tambem tem duas vilas, fundadas por meu avô, onde Kelvink deixou os moradores residindo lá, e em troca eles fornecem todo os alimentos consumido pela casa. Kelvink, investiu o pouco dinheiro que realmente ficou, apesar de aparentarmos ser ricos a situação não é bem como parece, mas tudo que temos dar para viver com dignidade. 
Como amigo e patrono da familia, Kelvink não nos deixa faltar nada, amoroso, gentil e forte estar sempre disposto a lutar pela honra da familia. Com todos os problemas enfrentados desde q nasceu, fez do Tigrão um lutador, mas que as vezes se esquece de viver o prazer da vida, embora seja tachado por muitos de mulherengo, por ser gentil e afetuoso com todas que conhece, entretanto ele nunca se envolveu de fato com nenhuma. As vezes flagavamos olhando a esmo o horizonte, e nunca sabíamos realmente o que se passa no coração do nosso protetor.
Após dois dias preso em casa, numa depressão infinda por problemas pessoais, sai para fora do Castelo, para caçar e viver aventuras..do Mundo Perfeito descobrir duas novidades, uma que serei brevemente pai e a outra ao chegar no Castelo, as luzes ainda acesas e murmurios, mostravam que algo tinha acontecido. Encontrei ao lado da lareira Kelvink com seu enorme cachimbo, Angel..jogando dardos e Leonelli deitada sobre o colo do irmão mais velho. Achei estranho, tal reunião, embora sejamos os mais velhos, tinha certeza que pelo horario algo havia acontecido. Saudei a todos, fui ate a adega, e bebi um bom gole de vinho, e perguntei o que estava acontecendo. Angel, parou com os dardos e explicou que Kelvink quando arrumava o quarto de nossa mãe, encontrou algo que o deixou extasiado. Meu coração sem querer acelerou, inexplicavaelmente, e em momentos lembrei da sua doçura. 
Kelvink então falou: " irmão meu pai é mais canalha do que pensei", fiquei atonito..Angel , explicou, nosso irmão tem um irmão, alem da Zodiack, (filha da Mabú), um filho da nossa propria mãe com o pai dele..com a partida de nossa mãe ele a obrigou deixar o pequeno Jack, senão ela não teria nem a chance de ficar com o Kelvink...magoada, ressentida e sem nenhum poder ela cedeu, e nunca, nunca mais em vida, pode ver o proprio filho.
Com toda essa novidade, Kelvink depois de muita insistência de Leoneli e Angel resolveu se empenhar em procurar a meia irmã na cidade das Feras, já que ela pode ser a única que deve saber sobre a existência de JackSully. O cabeça dura reconheceu que estava errado em culpar a irmã pelo erro do pai, pois na verdade ele estaria se punido, evitando de conhece-la. Sabíamos que tudo era um disfarce, no fundo Kelvink tinha muita curiosidade em conhecer a meia irmã. 
Particularmente eu e Nefistoan iniciamos as investigações, e como Kelvink viaja muito, ele nos comentou sobre um mercador, que possivelmente teria alguma informação sobre o paradeiro de Zodiack e ouvir a historia que tinha para nos contar. Ele mora nas imediações do deserto Ecos, vendendo sua pratarias. Ao inquerir sobre JackSully e Zodiack ele nos contou que depois da estada de Kelvink conseguiu localizar a irmã dele, e em seguida nos deu o endereço. Ficamos extasiados e emocionados com aquela noticia, decidimos então que Nefistoan e Murriel viajariam a terras longínquas do território das Feras para encontra-la, já que são alados e voando encontrariam mais rápido o lugar, combinamos também não falar nada a Kelvink até tudo ser resolvido.
Nefistoan saiu cedo naquele dia, iria em busca de noticias de Zodiack e JackSully nas terras distantes da cidade das Feras. Passou 2 dias investigando quase sem êxito o endereço dado pelo mercador, quando encontrou uma velha senhora que conversava na taverna a respeito dos dissabores da pequena Zodiack, atento o alado ficou prestando atenção aquele historia e não teve duvida, tratava-se da mesma pessoa. Aproximou-se da velha e inquiriu sobre Zodiack, ela gentilmente contou que a feiticeira vivia no centro de Fera, perto da joalheria. Nefistoan agradeceu e foi no endereço indicado. Ao chegar sentiu certa tensão e ansiedade, afinal aquela era irmã do seu amado Tigrão. Bateu á porta...coração apertou e finalmente uma senhora apareceu, era quem cuidava de Zodiack, Molleia que após a morte da mãe da feiticeira cuidou com carinho da mesma. Nefistoan explicou tudo a senhora, que sorriu e informou que a anos Zodiack procurava  pelo irmão sem exito. Informou que JackSully e ela não se cansavam nesta jornada. Pediu então que retonasse ao fim da tarde, onde os dois estariam em casa. Nefistoan despediu-se com o coração leve e a certeza do dever cumprido.


quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

O QUE DIZ UMA FRASE?

Este espaço será reservado para analises e comentários sobre frases, definições e conclusões que nos levam a um certo discernimento. Não é irônico pensar que todas as abstrações que determinados autores e livros enfatizam se posto em pratica nos faz sentir que são verdades existenciais e nos levam a uma reflexão sobre a maneira com que vivemos neste plano e como interagimos com nossa realidade?
"O homem está colado entre os deuses e as feras”  esta afirmativa de Plotino, nos coloca numa dimensão intermediária de uma realidade ainda não absorvida pelo homem, e sua real referencia de sua natureza.
Numa outra perspectiva Jô nos afirma nos ver. 30-29: Sou irmão dos dragões e companheiro das corujas...”, o que ele quis dizer com isso, na verdade? Fazendo uma analogia poderíamos concluir que Plotino nos dar informação sobre um homem dependente de deuses e ameaçado pela feras, não conseguindo despertar e assimilar o próprio medo de si. Mas adiante ele afirma: “Tenho medo dos deuses, pois não sou um deles, tenho medo das feras pois elas me ferem”, é uma visão de um homem tenebroso, e os deuses surgem como soluções para os seus medos e erros.
Quanto a Jô ele prefere se igualar ao inferior, porque desconhece em sua essência e este lhe parecem inferiores.
No livro Origem da espécies de Charles Darwin, uma das conclusões nos fica evidente, é que nós homens descendemos de alguma forma de espécies inferiores, e isto é deveras uma conclusão um tanto desagradável para certas pessoas, mas dificilmente alguém duvidaria de que descendemos de bárbaros. O espanto que particularmente senti ao me deparar com essa teoria pela primeira vez, me fez refutar a concepção bíblica, então como explicar tudo isso? Tenho uma teoria, que ficaria entre as duas concepções que talvez pudesse explicar e nos confortar dessa angustia existencial, tão própria do ser humano. No inicio nada existia a não ser DEUS, e Ele era o verbo, Ele expressou uma vontade em criar, então surgiu o universo, os planetas e a vida. Queria ele proporcionar isso a alguma coisa que fizesse parte dele, então criou o homem, mas não um homem apenas,  sim vários com sua companheira, onde pudesse vivenciar e não se sentir só, pôs esse homem, numa espécie de jardim, onde tudo era para ele, tudo obedecia a este homem, entretanto por pura insatisfação, implantada na sua natureza, este quis saber mais, mas Deus sabia que ele não estava preparado, mas continuou insistindo e Deus, então convidou a ver como era de fato a existência, afinal este homem não queria sua proteção. Assim todos que estavam no paraíso, foram expulsos para poder conhecer a vida em outros estágios. Deus porém, desnudou o homem de tudo, e ele foi forçado a aprender tudo, aprimorar sua inteligência. É porisso que vivemos no primitivismo das cavernas e outras situações nesses milhares de anos existenciais. Não sei se me fiz compreender, mas os dogmas surgidos depois, foi pura audácia do homem para sobrejulgar o outro, seu semelhante. Aquele que vê um selvagem em sua terra nativa, saberá que em algum momento de nossa vida, um de nossos ancestrais, foi rude, incoerente, canibal, e que com a evolução nos foi dado do privilegio de melhorar nosso ser. Acredito que daqui a mil anos a humanidade  estará diferente, terá aprendido mais para sobreviver melhor esta é uma esperança de um destino ainda mais elevado num futuro distante e de seu final, mas bem isso é outra história.                                                                                                
A essência do homem relatado por Darwin é de um homem que apesar de ter evoluído ainda continua na barbarice, cheio de crimes, tentando destruir o que lhe mais caro que é o meio ambiente, pelo simples fato, creio eu, de ser muito egoísta, não pensar nas gerações futuras. Fico a imaginar até que ponto esse homem conseguira sobreviver em seu próprio ambiente. Se formos perceber a beleza de nosso planeta Terra, como se fosse um celeiro do amor, onde todas as criaturas se harmonizam, se reproduzindo infinitamente, e que isto tudo poderá ser perdido, pela simples ignorância humana, me dar calafrios.
Hoje, em pleno final do século XX, o homem moderno, lê e pensa. Em 1754, Jean-Jacques Rousseau, em seu livro a Dissertação sobre a origem e a base da desigualdade da espécie humana, comentou : “ Importante sobre o estudo natural do homem, é considerá-lo a partir de sua origem.. Neste terreno, eu não poderia senão formar conjecturas vagas e quase imaginárias. A anatomia comparada ainda fez poucas descobertas e as observações dos naturalistas são por demais incertas para qualquer raciocínio lógico e sólido”.       
Hoje com o surgimento da auto-analise e as terapias de grupo consolida o homem  a ser o que ele é, assumir sua matéria corpórea, seus pensamentos por mais esdrúxulos que sejam, para finalmente encontrar-se e transformar o que  é o maior Dom: A VIDA, numa forma acessível, certo de que o resultado de tudo isso é o desenvolvimento interior sucessivo.
Willian Shakespeare afirma: “O que foi que visto no sombrio passado e no abismo do tempo? “(A tempestade). O que sempre temos visto é  a maneira mórbida de homens degladiar-se, fugindo  e se transformando em orvalhos, nada mais que lágrimas e lágrimas. O mundo é velho, o homem é novo, novo em suas ações , novo em seu modo de pensar e agir. Hoje, pouco se conseguiu estudar pouca coisa  a seu respeito e de boa parte do universo. O acesso a nós mesmo é um ponto que merece atenção. Às vezes ouvimos alguém afirmar que detesta alguém, que sente inveja do semelhante, homens que não gostam do que fazem, não gostam do planeta pois o desrespeitam, do sol, e que vivem em constante mau-humor e reclamação. Analiso o que faz este homem aqui? E imagino que algo precisa ser feito, que de certa maneira é preciso domesticá-lo dado o grau de sua alienação, despertando-se enfim, para si próprio. São paradoxos, que devemos solucionar, quando a nossa frente surge.
Estudamos o cérebro, nosso maior medo é saber o que ele contém, apesar de nossa insistente curiosidade, como é sua estrutura, o grande desafio que ele nos mostra. Até hoje, o que nos deprime são as insignificantes indagações. Aristóteles, contribui assim: “De todos os animais, o homem é aquele que possui o maior cérebro em relação ao seu tamanho.” Será que o tamanho importará ?
Será que o Éden será uma metáfora dentro da evolução do homem ou será que ele existiu? Mais que milenar a estória de sua existência. Assim alguns versos de Jonh Milton (Paraíso Perdido) nos dar uma idéia poética:  Então não estarias pouco inclinado...A deixar este Paraíso, mas possuirias...Um paraíso dentro de ti, mais feliz ainda...De mãos dadas, com passos errantes e lentos.. Através do éden tomaram seu rumo solitário...”                                                                                        
Abre-se dentro de mim  uma reflexão maior sobre a existência do paraíso dentro de si, porém ele parece tão pequeno quando não entendido... O problema consiste em percebê-lo, será que encontra-se ao meu lado, perdê-lo parece impossível, mas o importante mesmo é procurá-lo.  Como posso pensar em ser feliz, se a minha volta existem milhares de pessoas infelizes e tristes, passando pela vida de forma despercebida, sem nuca ter especulado sobre si mesma, e até mesmo terem refletido sobre sua existência, sobre seu paraíso interior. Somos importantes, e precisamos nos compreender de fato.
Sigmund Freud contribui nesse sentido: “A voz do intelecto é suave, mas não descansa até ter ganho um ouvinte. Em última analise, após inumeráveis derrotas, ela vence. Este é um dos poucos pontos em relação aos quais poderemos ser otimistas no tocante ao futuro da humanidade.”
 Faço um comentário através de um verso reflexivo:
 “Tenho ouvido para ouvir a voz dos Deuses
  Pouca é minha sabedoria
  Diante de tamanha beleza!!
  Tenho visões para ver
  E seguir meu destino...
  Em busca do meu paraíso interior.”
 “O espírito de um homem é capaz de tudo, porque tudo está nele, todo o passado e todo o futuro”(Joseph Conrad)
As horas silenciosas se aproximam... (Willian Shakespeare). Todas essas questões de extremo conhecimento humano, talvez não passem de simples conjecturas ou afirmações de problemas existenciais  que o homem vivência em relação a sua natureza e ao cosmo. De onde viemos e para onde vamos. Como se processa esse ciclo, ou tudo é um ciclo como tudo indica? Fica a idéia para você leitor refletir.


NO CALOR DA DOR, A EMOÇÃO DO AMOR

Janeiro de 1979, uma viagem inesperada interrompeu os negócios de Paulo. Até então, vivia em sua pacata cidade, sem muita ambição e problemas sérios. O avião no aeroporto estava de partida numa das poltronas, Paulo Novaz porte athetico, lia a carta de sua noiva Fernanda. Aquele dia amanhecera nublado e com fortes ventos. Seus olhos percorriam as páginas daquele papel como se buscasse algo além das palavras, enquanto isso o avião movimentava-se na pista, alcançando os céus rapidamente. As palavras daquele pequeno bilhete expressavam saudades e dizia: “Estou ansiosa esperando noticias suas. Aqui nada de novo, e a rotina às vezes me deixa desanimada, a não ser a alegria que compartilhei com Glória, César e Lima de terem passado no vestibular, foi muito legal. Querido os dias sem você são duros, e não vejo a hora deste curso chegar ao fim para novamente está em seus braços. Você é uma pessoa maravilhosa que amo muito, e não imagina como essa distância me faz mal, mas logo, logo o curso terminará e seremos muitos felizes para nos amarmos”. Beijos – Nanda.
Entretanto aquelas palavras pareciam tão artificiais, sempre que recebia carta dela, era simples, curtas demais e até mesmo fúteis. Estava decidido de lhe fazer uma surpresa, mas estava preparado para qualquer tipo de problema que pudesse vir a acontecer, aquele era o motivo de sua viagem.
A aeromoça ofereceu-lhe um drink, o qual aceitou naturalmente. Da pequena janela do avião observava as nuvens e a imensidão do céu. Podia ver a tempestade que caía torrencialmente, e vez por outra balançava o avião, causando um certo medo nas pessoas.

Paulo Novaz tinha 32 anos, homem bem sucedido na vida, herdara do pai uma pequena rede de supermercados em sua cidade, que era uma pessoa que todos amavam, sempre procurava ajudar os mais necessitados, após sua morte por causa de problemas cardíacos, a cidade não foi mais a mesma, e assim alguns dos problemas da cidade acabavam tendo que ser resolvidos por Paulo, que pacientemente continuava o trabalho do pai. Na época que seu pai falecera, era apenas um jovem de 20 anos, ainda imaturo, desconhecia totalmente o teor dos negócios do pai, assim teve de inicio certa dificuldade, mas logo facilmente conseguiu direcionar adequadamente os negócios. Conhecera Fernanda numa dessas festinhas na casa de um dos seus amigos, assim que a viu sentiu irresistivelmente atraído, com sua maneira dócil de falar e de ser. Seus cabelos caídos aos ombros, negros, olhos esverdeados, parecendo uma deusa grega.
A forte tempestade sacudia o avião com maior intensidade, e algumas pessoas, principalmente umas senhoras com o terço na mão rezavam. Ouviam-se trovoadas assustadoras.
Naquele momento uma moça japonesa o encarava insinuadamente, fazendo com que esboçasse um sorriso, sendo consequentemente correspondido.                                                                                              
A torrente de chuva lá fora aumentava e o panico era geral. Paulo fechou os olhos tentando dormir, idealizando sua chegada em Belo Horizonte. Do seu lado a aeromoça ajudava a velhinha a amarrar seu cinto de segurança. Segundos mais tarde o avião entra em pane, caindo entre as matas do estado de Goiás, algumas explosões, gritos de morte, a chuva torrencial ajudou a conter o fogo, e um silêncio se fez.
Ao despertar do estado de inconsciência Paulo Novaz, ouve um canto de pássaros e atordoado abre os olhos. Meio sonolento percebe o que aconteceu bem ao seu lado a moça japonesa estava imóvel, mas ainda respirava. Levantou-se lentamente, sentindo o chão fugir de seus pés, a cabeça girar, caindo novamente.O relacionamento de Iara com Paulo, despertara nele um sentimento estranho. Era uma jornalista recém-formada, trabalhava para um jornal em Minas. Conversavam muito, principalmente quando iam juntos pegar água, ela havia lhe dito que tinha um namorado que a amava, mas que ela apenas sentia uma ternura e admiração profunda.  Com o convivo dia após dia, ela sabia que algo forte estava sentido por Paulo, aquele rapaz gentil, que pacientemente cuidava de todos, às vezes se pegava pensando nele, e sentia um enorme medo que algo lhe acontecesse quando saía em caçada com o comandante.
Na cidade o noticiário informa em rede nacional o desaparecimento do vôo 205 da VARIG, e começam as buscas do Boeing. Na casa de Paulo Novaz, seus familiares ficam apreensivos, sua mãe inconsolável, ainda tinha esperança que seu filho estivesse vivo. A irmã de Paulo, Débora, liga imediatamente para Fernanda, avisando do que havia acontecido com o noivo.
Novamente Paulo desperta do transe em que se encontrava, e o cheiro forte de carne queimada exalava no ar. Levanta-se e ainda encontra força para ir até o local em que se encontrava a moça japonesa, ainda estava respirando, de súbito fica feliz. Faz um esforço enorme para carregar aquele corpo um tanto frágil, colocando perto de uma árvore.  Vê um corpo de um homem aparentando 50 anos, ainda respirava, retira alguns destroços do avião que estavam sobre ele, e este abre os olhos, com certa dificuldade e com o auxilio de Paulo caminha até a árvore onde se encontrava a moça japonesa. Alguns passageiros tinham sobrevivido àquele terrível acidente, eram apenas 15 sobreviventes, o restante, esses estavam irreconhecíveis, carbonizados. Agora o que fazer estavam sem nenhuma comunicação, nenhum radio funcionava, sem água e sem comida. Diante da situação Paulo percebeu alguns animais e pássaros, logo imaginou que deveria ter água por perto. Comunicou aos outros passageiros, que iria procurar água, pois era o único que estava em boas condições físicas, seus ferimentos eram leves. Ouviu então a voz do comandante que dizia ter forças para acompanhá-lo. Paulo, mas este explicou  o quanto ele era necessário para os outros sobreviventes que permanecesse esperando por ele, depois dele era o mais saudável.
Percorreu uma área enorme, e não conseguia uma gota d’água, ia desisti, quando um animal chamou sua atenção. Parecia um castor, ou um desses roedores  que vivem se enterrados na terra. Como que por impulso de sobrevivência, tentou segurar o bichinho, imaginava que poderia dar uma boa refeição. Entretanto, mais rápido e esperto o bichinho começou a correr, e Paulo atrás, desesperado. Seu instinto de sobrevivência lhe impulsionava a segurar aquele pequeno roedor, com a mão enfiada em sua toca, conseguiu capturar o bichinho. Logo adiante viu um pequeno córrego o qual  sentiu uma imensa felicidade. Imediatamente, encheu a vasilha para levar ao local do acidente, agora sabia que poderiam sobreviver.

Os dias foram passando paulatinamente, e não aparecia o socorro, enquanto isso Paulo e comandante, já restabelecido, caçavam os pequenos animais, faziam fogueiras, se revezavam à noite por causas dos animais, eram 07 sobreviventes.Haviam enterrados todos os corpos, construído algumas malocas com os destroços. O que mais fazia feliz Paulo, era o canto dos pássaros e a presença de Iara, a japonezinha que lhe sorrira a 05 dias atrás quando o avião caiu naquelas colinas. Alguns passageiros ainda precisavam de socorro adequado, uns estavam mutilados e ainda agonizavam de dor. Com um carinho especial Paulo cuidava daquelas pessoas, procurando confortá-las.
                       
Nas cidades por todo Brasil surgiam os mais variados boatos sobre o avião desaparecido, nesses 07 dias de buscas não davam em nada, alguns jornais noticiavam as mais absurdas versões, um desses sensasionalistas dizia que o avião havia sido engolido por um enorme disco voador, outros diziam que haviam sido raptados por terroristas libaneses, e outros ainda anunciavam que com a queda do avião nenhum sobrevivente havia. Os jornais competentes publicavam que tanto o exercito e aeronáutica estavam em buscas constantes, mas que nenhum dado concreto da localização do avião e seus passageiros.
Paulo continuava sua rotina dia após dia, e mais uma morte aconteceu no acampamento, agora eram apenas 06, que brigavam heroicamente minuto a minuto pela vida. Apesar de todas as dificuldades vivenciadas, para Paulo aqueles dias lhe davam uma enorme sensação de alegria, e ele sabia que era por causa de Iara, já não pensava na noiva, e se esta estava sendo infiel ou não, agora não mais interessava. Naquela madrugada, o sono demorava a chegar, dormia perto de Iara, seus corpos juntos, tão próximos, que sem querer sentiram que estavam abraçados, como numa mágica e sensual energia, e o inevitável aconteceu, ambos sentiram a maior felicidade.
Aquele dia amanhecera chovendo. Paulo sorriu para o dia e o canto dos pássaros lhe trazia uma sensação de paz e quietude enorme, respirou fundo e agradeceu mais uma vez a Deus por estar vivo e feliz. Repentinamente, ouviu uma zoada que parecia de um helicóptero, correu para chamar o comandante, e aos gritos procuravam chamar atenção, como por instinto pôs mais madeira na fogueira, queimando até sua roupa, era a única esperança que tinha desde o dia que o avião caíra. O piloto do helicóptero se comunica com a base, havia descoberto os destroços, e finalmente acabara aquela busca, depois de l3 dias.
O socorro não demorou, logo que chegaram os reforços. Os seis sobreviventes, uns ainda gravemente machucados, respiravam aliviados, finalmente poderiam ir para casa, Deus tivera misericórdia com todos, estavam vivos e livre daquele sofrimento.
Paulo e Iara prometeram novamente se encontrar, mesmo porque ambos teriam que resolver suas vidas, para livremente amarem-se. Sabiam que agora finalmente suas vidas iriam ter um novo começo, no amor sincero e construido dia após dia pelo sofrimento, apesar de tudo estavam felizes.