domingo, 24 de junho de 2012

MOMENTO REFLEXIVO


Nada e ninguém poderá avaliar um sentimento de perda.
A natureza de desespero sofrida leva ao insano, ao descontentamento e alheamento.
Perder significa re-significar tudo, o sentir, o agir, é mudar as emoções de forma brutal, é direcionar-se ao vazio.
Quantas vezes  já re-significamos na nossa vida? Quantos anos você tem? 15, 20, 35, 40, 50, não importa em toda sua trajetória você re-significou algo, seja no relacionamento, seja nas decisões já tomadas que de nada vale no momento atual. Você faz isso porque é necessário, porque sua vida é uma energia cíclica e que deve continuar sendo, senão ela estagna e perece. 
Quando não vemos razão para nossa existência, já pensou no que acontece? Viramos suicidas, e a cada dia que passa, somos suicidas matamos nossas próprias esperanças, fazemos isso de forma mais ridícula que pode existir, nos drogamos, nos viciamos tirando do foco a nossa própria existência, não acreditamos em nós mesmos e por fim culpamos o que nos deu a vida, aquela força que nos oportunizou a ver de perto a existência, a sentir no simples ato de respirar que vale a pena ter todos os sentidos, de criar para fazer nossa jornada mais viva, de poder gritar aos quatro cantos do mundo quem somos HUMANOS e temos direito de estar aqui e que por falta de escolha ficamos sem direção, mas que somos suficientes para mudar tudo que nos parece ruim e nos ater na maior energia nos dada de graça que é o AMOR, porque somente ela é capaz de nos despertar para o âmago da vida e nos dar a certeza de quem vale a pena cada sopro que expiramos, e que devemos discernir e nos aliarmos aos que da mesma forma como nós tem o poder do amor, do fluir pela vida e de que vale a pena toda essa jornada, e que na verdade tudo é apenas uma questão de acreditar e de expressar isso.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

FAMILIA DRAGON

CAPITULO III
O ENCONTRO

Desde a morte de Eloá e o sentimento de perda nos direciona a novas perspectivas perante a vida e pode alterar comportamentos inadequados mudando todo o trajeto de uma vida. Extasiados ficamos quando nosso irmão Kelvink decidiu buscar a familia esquecida, conhecer seus irmãos JackSully e Zodicak, o sentimento de perda, e a emoção de conhecer os irmão a tanto tempo perdido nos fez crescer e evoluir. Claro, que saber que o de pai de Kelvink foi covarde e cruel com a mãe, nos fez ver a importancia de resgatar as nossas historias e a partir dai, vim a constuir um novo futuro. Conseguimos ouvir do próprio Jack sua tragetoria e como ele proprio revela.
"Nasci um ano depois de Kelvink, e logo depois do meu nascimento fui separado abrutamente da minha mãe e do meu irmão, não a conheci, e por muito tempo imaginava ser filho de Mabu a mãe de minha irmã Zodiack, que sempre me tratou com respeito e carinho, como a de um filho. Somente ao completar a maior idade e logo o falecimento do nosso pai, é que me foi revelado toda a verdade, e que eu vim saber da existencia de meu irmão mais velho. Por algum tempo eu e Zodiack o procuramos sem exito, ate que um dia um alado chamado Nefistoan, foi ate nossa casa e nos trouxe noticias. Confesso que foi muita emoção, agora aproxima-se o dia em que nos encontraremos".
Era uma tarde de chuva o dia em que pus os olhos no meu irmão, olhar altivo, profundo, seu porte athetico e a cor dos nossos olhos era iguais e em nada diferenciava, ele era um tigre e eu um lobo. Aquele encontro emocionara a ambos e como que por uma força interior nos abraçamos parecendo que  a seculos nos conheciamos. Com franqueza foi o dia mais feliz da minha vida no mundo perfeito.
Decidimos que daquele dia em diante nunca mais nos separariamos e fosse o que fosse que acontecesse e um precisasse do outro seria dito e em consequencia atendido. Na ocasião soube que Kelvink estava de casamento marcado com uma sacerdotiza chamada Papoula, e o casamento aconteceria nos primeiros dias de maio. Este romance se tornaria eterno e razão da vida do meu irmão, Kelvink falava dela com entusiasmo, carinho e muito amor, sua vida em PW só tinha sentido ao lado dela, alem é lógico da familia, pois sua responsabilidade junto aos Dragons era enorme, mas sentia paz no coração e uma imensa vontade de viver.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

O ÁPICE DA DECEPÇÃO

Final de tarde, Luciana ainda não sabia bem para onde ir, se voltava para casa ou se iria ao barzinho encontrar com os amigos. Era Sexta-feira, amanhã sabia que poderia acordar mais tarde, e teria todo o dia apenas para si. Pensava estranhamente em seu filho, estava  hoje com 21 anos, as vezes ficava horas pensando nele, fazia dois anos que não o via. Imaginava inúmeras vezes um encontro, tinha tantas coisas para falar, uma vida inteira, mas o que mais desejava era pedir-lhe desculpas, sim desculpas, pois culpava-se por não ter lutado suficientemente por ele na epoca em que tudo aconteceu, apesar de sua pouca idade, hoje analisando friamente, acredita que na epoca foi muito infantil e covarde, o medo enorme de enfrentar vida e as responsabilidades, de dar ao outro ser o essencial que necessitaria, de não poder saber e ter como cria-lo talvez a tenha levado a não lutar como deveria.
Mas durante todos esses anos a dor estava sempre presente e desejava muito poder ter a oportunidade de contar toda sua trajetória de vida durante esses 16 anos em que viveram separados.

O ônibus subia a ladeira da montanha, as pessoas que residiam naquela rua, de alguma forma despertavam em si um sentimento de amargura, pobreza e piedade. Aquelas mulheres vendiam ainda o seu corpo para poder sobreviver. Ao pé da ladeira pode ver o por do sol, o mar ainda azul denunciava que a vida vale a pena ser vivida, com todos os contrapesos que ocorrem, e na realidade eram formas de burilar a alma para a perfeição. Considerava-se uma pessoa batalhadora profissionalmente, alias adorava sua profissão, era uma pessoa disciplinada, tinha objetivos a alcançar propostos desde a sua adolescência e iria cumpri-los, o que as vezes a deixava impressionada era como tudo na sua vida aconteceu de uma certa forma como havia planejado, como havia desejado. Sempre soubera que Deus inúmeras vezes ouvira seus pedidos, embora não gostasse de ocupar Deus com seus desejos, gostava mesmo era de agradecer, agradecer pela vida, pelo ar, pela natureza e até mesmo pelo sofrimento que passava, porque ele com certeza a faria crescer de alguma maneira, embora naquele momento parecesse doloroso.
Finalmente decidiu ir para casa, tomar um bom banho e depois quem sabe sair com alguns amigos, talvez desse uma esticadinha na noite, indo a uma boate. Sentia-se muita vezes só, e com saudades de sua adolescência, do tempo em que o amor parecia existir com mais freqüência, ou será que era a maturidade batendo à sua porta que insitia em afirmar que tal amor era pura caracteristica de uma sonhadora na fase da adolescencia? Nunca saberia, a verdade era que nunca mais conseguira se apaixonar por ninguém. Colocou a chave na porta e abriu. O apartamento era o mesmo, um tanto abafado por ter estado o dia todo fora e se mantia fechado, as persianas impediam que os últimos raios do sol penetrassem no ambiente, abriu quase que instintivamente as janelas, e lentamente deixou a bolsa cair sobre o sofá. No quarto tirou lentamente sua roupa, peça por peça, livrando-se daquele cheiro de suor do dia inteiro. Entrou no chuveiro, sentindo a água a deslizar sobre o seu corpo, o que a  deixou relaxada.  Uma vontade de tocar-se mais intimamente foi despertada pelas suas mãos quando as tocavam , e o desejo foi maior e ali mesmo com a água a cair  sobre sua  pele,  deixou-se  dominar  pelo  seu  sexo até  chegar  ao  orgasmo. Aqueles momentos de prazer sempre a levava ao passado, entretanto naquele dia fora diferente, de subito imaginara  alguém a quem conhecera a pouco tempo e que nunca tinha tido qualquer tipo de intimidade. Era estranho, mas sua mente mostrava a todo instante o jeito, a silhueta  daquele corpo a qual a despertava ao prazer, e fantasias surgiam desgovernadamente a deixando-se levar e gritar de prazer.
Em poucas horas lembrara que tudo acontecera em suas férias. Estava saindo de um relacionamento que a fez muito feliz durante muito tempo, mas que de repente a tinha  tirado de sintonia, as vezes acreditava que continuava amando, mas tudo era muito confuso em sua cabeça, precisava mesmo era dar um tempo, por sua vida emocional em ordem, pensar no seu trabalho, em seus objetivos  e procurar o mais que podia ser feliz, afinal era tudo o que desejava. Tinha sido muito feliz, ao lado do antigo amor, construíram muitos sonhos juntos, sabia que cada passo que dava na vida tinha seu apoio e seu carinho, não tinha medo de errar, mas tinha medo de perder todo aquele sentimento, e isso acabou acontecendo. Inúmeras foram as vezes que se culpou, que desejou não ter sentido nada, sabia que muitas vezes o havia chamado atenção, era necessário fortalecer os sentimentos, as atitudes, mas depois com o tempo os dois se acomodaram, e agora uma nova vida estava por surgir, tinha medo, mas era necessário seguir em frente, fosse aonde fosse dar. 
Vestiu uma camiseta, seu cabelo molhado caído aos ombros escorria gotas d'água, estava morrendo de fome e precisava alimentar-se. Abriu a geladeira e nada encontrou, decidiu então ligar para uma amiga, talvez se tivesse companhia iria a um restaurante comer uma boa pizza. Ligou para Márcia, mas o telefone apenas tocava, e ninguém atendia, deixou lentamente o fone no gancho, e naquele momento sentiu uma solidão terrível. Entretanto, uma duvida brotou em sua cabeça sobre o motivo da amiga não ter atendido o telefone gerando uma agonia e angustia, resolveu ir procura-la,  vestiu qualquer roupa e foi ate a casa da amiga. Logo deparou-se na frente da porta da casa da amiga sentindo certo constrangimento, mas seu impulso foi mais forte e tocou a campanhia. Parecia uma eternidade e nada aconteceu, quando percebeu a porta entreaberta, timidamente empurrou e entrou. O silencio era assustador, aparentemente não havia ninguem, a escada que dava ao quarto lhe pareceu suspeito seu coração acelerou momentaneamente, impulsivamente subiu as escadas, a porta do banheiro estava entreaberta, passo a passo foi adentrado ao recinto, percorreu o corredor e deparou-se com o quarto da amiga, abriu a macaneta e deu um enorme grito. Perplexa com a cena, lagrimas desceran sobre seu rosto, de um lado o corpo da amiga inerte em meio a uma poça de sangue e ao lado pendurado com uma corda no pescoço sem sinais de violencia o corpo do seu ex-marido.






quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Desejos..


Uma estranha luz brilha
Fascínio, encantamento...
É tua presença...
Teus olhos capazes de renovar minh’alma
Ensurdece meus sentidos
E me faz delirar

Este delírio..
Me faz incitar-me...
A querer a tua pele sobre a minha

O som noturno da musica lá fora
Sonoriza um desejo
E sedenta de amor
Vejo a plenitude e amplitude de me fazer
Pertencer a ti
Pois sua ausência me extasia...
Num desejo perene de ti ter

A musica insiste e não desiste
De lembrar a ti
Acompanho cada movimento sonoro
Como um desejo...
Onde o atrevimento contido no olhar
Não passará...
Apenas da sensação de pertença...

Mas o destino,
É o destino
Com ele vem as crenças...
Realizações e materializações desse desejo
Um destino.
Criado por mim
Desejado por ti...
Numa volúpia insana
De nos unirmos para sempre!

Amor, puro e simples Amor!!

A, o amor... por onde anda?
Que caminhos ele estar a seguir
Para que eu possa ir ao seu encontro
Para que eu possa senti-lo
Que ele possa apossar-se de minh'alma
Dilacerando-a
Enchendo-me de luz...

Cadê o amor...
Por onde ele passou deixou adocicada
A alma de quem o pertenceu
Ele vive a espreita
Querendo fazer feliz a quem o concebe

Amor que me faz cantar
Me faz feliz
E me faz delirar
Que adentra me alma
Sem licença
Para me deixar em extase!!

Cadê o amor..
Ele estar com voce
Ele é voce
Ele que me deixa liberto
E afirma... a todo instante
Que voce é meu amor!!

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A infancia..o começo!?

Sempre imaginamos que quando nascemos tudo é o principio, este conceito é baseada na falta de desconhecimento ou mesmo pautada na fé. Particularmente não penso dessa forma, viemos de uma fonte energética suprema e é lógico já existíamos antes de nos tornar humanos, de escolhermos a que família qual vamos pertencer, creio que esta escolha estar baseada nas experiências que devemos ter para o nosso crescimento espiritual, aqui somos como uma centelha e que precisamos burilar toda a força negativa e positiva que existe dentro de nós, e com o decorrer da existência essas escolhas levará a um aprendizado maior e ao que nos propomos a ser de fato.
Maria Joana tinha 07 anos quando do nada percebeu que existia, era como um despertar, sentimentos diferenciados eclodiam em sua cabeça, e varias vezes se percebia com o olhar perdido sobre a mureta da janela da varanda do quintal onde visualizava o mar como pano de fundo, assim como o abacateiro que inúmeras vezes  se pendurava nas suas pintanças. O contato com a natureza lhe deixava leve, e a fazia transcender, era mágico, ficava inerte como uma luz flutuante e com uma força maior que não sabia com palavras descrever.
Certa vez, nessa mesma janela, que na verdade era uma espécie de meia porta, ou seja uma porta cortada ao meio, ela estava a escovar seus dentes junto com seu irmão de 05 anos e animadamente brincavam com a espuma de suas pasta de dentes quando do nada a  porta se abriu e seu irmão despencou de uma altura enorme caindo entre as pedras, Maria Joana como que no automático se agarrou na porta ficando pendurada, por uns minutos, mas que nesses breves instantes teve a visualização de um ser angelical, que sem muito esforço emburrou a porta de volta e ela caiu no chão da varanda. Nunca esquecera esse fato, la embaixo seu irmão prostado e a sua frente um ser luminoso nunca visto. Acredita ate hoje que este fora seu primeiro contato com essa energia positiva e que no decorrer de sua vida se manifestaria por três vezes, e sempre em situações difíceis.
Seu irmão é claro sobreviveu, ela sabia que tinha o dedo daquele ser luminoso que vira, mas este encontro resignificou sua vida posteriormente, alicerçou sua crença e levou a buscar estudos que esclarecesse aquele breve instante.
Aos 09 anos Maria Joana, possuía certo grau de independência, já ia a escola sozinha, tomava o bonde ou por vezes vinha caminhando, o que achava a experiência emocionante, principalmente  porque se dependurava no bonde, sentindo a fluidez do vento em seu rosto e era  nesses momentos que podia observar tudo ao seu redor e tinha a sensação de liberdade.
Vez por outra encontrava velhos mendigos de olhar profundo e cansado pelos becos por onde passava, o que lhe provocava profunda tristeza, ver a condição sub-humana tão marcante e nada poder fazer. Pensava que aquelas criaturas haviam escolhido este caminho, afinal apesar da luta pela sobrevivência ser tão acirrada, acreditava piamente que qualquer pessoa em qualquer situação social determinava seu próprio caminho, e tinha certeza que era escolha deles viver naquela condição.
O que mais lhe dava prazer nessas suas andanças vindo da escola era a alegria das crianças do curtiço parecia que la habitava a alegria, apesar de toda a condição social desfavoravel, os meninos a jogar bola e correr picula e as meninas adoravam amarelinha, ficavam a pular de um pé só. Algumas vezes em que parava para observar, Anita uma negra de olhos cor de mel a chamava para interagir, e com um sentimento de tristeza sempre dizia que não podia, pois já estava atrasada para chegar em casa, detestava deixar sua mãe esperando para o almoço ou que se preocupasse consigo.
Toda criança sempre tem um amigo especial, alguem que ama mais que tudo e que representa muito para sua vida, Maria Joana tinha uma pessoa especial a qual ela nutria um sentimento muito prazeroso, as vezes ela propria se questionava o por que daquele sentimento, aquela dedicação, sentia como se fosse mais alem da amizade, algo que transcrevia a descrições, era uma ligação espiritual tao forte que em momentos de seus devaneios desejava mudar seu sexo para supostamente ter a pessoa e poder conviver de uma forma mais intima. Aquele sentimento fortalecido em uma idade tão terna mostrava que o amor verdadeiro esta dentro de cada um e muitas vezes de forma adormecida, outras vezes  coeso como fogo, acesso, um amor incomum. Não me refiro aqui a amor sexual, embora no contexto Maria Joana inumeras vezes sonhara tocar os labios de Edite, sua prima, era uma adoração impar, incontestavel que alimentava sua alma e sua vida.
Mas na vida há caminhos de desencontros marcados por desventuras e não poderia ser diferente com Maria Joana, assim num dia comum de domingo aconteceu a primeira briga com Edite, coisa tolas, intrigas dos primos que ja notavam a preferencia diferenciada, o trato, a defesa incondicional frente a todos. Naquele domingo chegaram ao extremos, inflamadas pela maudade mirim dos moleques. O dilema de Maria Joana era só um, como ficaria depois, nao conseguia se defender, e apanhou horrores de Edite. Conseguindo fugir daquela situação, correndo até o fundo do quintal e mergulhando dentro de um tonel enorme de agua, ficando la parada sentindo a agua fria no seu corpo dando um prazer de odor causada pelas unhadas dadas pela prima. Não sabe exatamente quanto tempo ficou ali naquela situação, um tanto ilarica. A voz de sua mãe a trouxe a sua realidade, e automaticamente saiu daquele enorme tonel. Era hora do almoço, era um sabado e sempre nos fins de semana almoçavam juntos seus pais e seu irmão, a mesa o seu pai contava as peripecias do seu trabalho, e sua mae falava da semana e das dificuldades de educar as crianças. Depois do almoço, sempre  tiravamos uma sesta e em seguida iamos brincar com nosso pai.
Pode-se dizer que Maria Joana viveu sua infancia de forma tranquila e amorosa, resolvia suas dificuldades com ponderação e justiça, isso deu a ela um suporte para enfrentamento das dificuldades que encarou na sua vida.
Aos 11 anos se separou definitivamente de sua prima, ela foi morar em Goias e Maria Joana no Rio Grande do Sul, só se reencontrando aos 15 anos, quando Maria Joana não quiz festa e sim uma viagem com o objetivo de rever novamente a prima.
A emoção do encontro foi muito forte, seu coração acelerava, seu pensamento criativo a levava a situações imaginadas que a faziam ruborizar. Desceu do onibus e ao lado da tia caminhava até  a casa dos primos, os meninos ja estavam com 18 anos, no exercito, e ela deveria estar muito linda, e as lembranças  dos momentos vividos foram repassando a cada momento que se aproximava da casa. Finalmente seus olhos encontraram o de Edite, e institivamente correram para o grande abraço, tão forte, caloroso que a fez respirar fortemente. Sua vontade  era enche-la de beijos, mas conteve-se e apenas conversaram. Agora tinha certeza que a amava incondicionalmente.
As ferias acabaram e Maria Joana retornou a sua cidade natal, com a doce sensação de que nunca esqueceria sua prima e aquele amor unilateral .
Aos 17 anos sua primeira desilusão, soube da noticia que sua adorada Edite iria casar. seu mundo veio ao chao, e daquele dia em diante todos os seus sonhos secaram feito uma peuena lagoa num deserto. Nunca esquecera quantos dias chorou e quantas noites ficou sem dormir, imaginando que sua amada estaria ao lado de outro e que ela jamais poderia confessar todo o amor proibido sentido.
Maria Joana namorou, casou, descasou viveu sua vida como uma pessoa comum, mas nunca esqueceu aquela energia sentida, aquele sentido dado a vida que poucos sentem, o Amor, o amor simples e puro.

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Sapiens e o Caos


Aqueles olhos pareciam me pedir de alguma forma ajuda, seu corpo estava estentendido ao chão, um tanto sujo, sem camisa, simplesmente jogado e seus olhos circulavam pelo salão como se tentasse se refugiar de algo inexplicavel, invisivel, vez por outra do canto de sua boca esboçava um sorriso, como se estivesse a se divertir com a sua propria situação. Encarei por diversas vezes aqueles olhos, procurava uma solução para aquela situação, uma vida miseralvemente triste, como se dependesse de mim. Entretanto sabia que por mais que eu encontrasse qualquer tipo de ajuda, ele continuaria ali, apatico, enigmatico como se nada estivesse acontecendo, sorrindo ao léu vez por outra, como se divertisse por eu estar preocupada com ele.
Era janeiro 2011, no albergue circulavam outras pessoas talvez com um pouco mais de sorte que o Josué, porque todos pareciam ter sobre si o dominio da lucidez enquanto que o rapaz de olhar profundo e sombrio não respondia inteiramente por si, era como se fosse uma marionete conduzida ao acaso por quem estivesse por perto, e ele tinha apenas 23 anos.
Segundo relato de sua mãe Josué desde 08 anos tivera uma crise convulsiva e desde então passou a ter delirios, a falar sozinho e com tendencias ao isolamento. Aos 12 anos sofreu abuso sexual por parte de rapazes na escola e nunca conheceu uma mulher, sempre fora arredio e solitario socialmente. Nessa epoca vivam numa sobrado pelas bandas do Pelourinho, lugar estranho de energia morbida, onde sentiamos ate medo quando passavamos por lá. Antes dos 12 anos ele era um garoto esperto, conversador, tudo perguntava de uma curiosidade sem fim, e há quem diga que foi por conta dessa curiosidade que se tornou o que é hoje.
Quando questionei a uma psiquiatra amiga o porque do Josue sorrir tanto quando caminhava de um lado ao outro sem nenhum destino e em meio a esta sua andança gesticulava sem parar, ela simplesmente respondeu-me, ele estava ouvindo inumeras vozes e precisa contracenar com essas vozes para que sua locura não o leve ao caos...Cá pensei: mais caos, e que caos ela ta se referindo? Josue nao tem vida, a vida como conhecemos, o que ele vive temos uma pseduo ideia, de delirios infintos, de sonhos e pesadelos horriveis, criações de uma mente funesta e desumana, que caos ainda sofrerá o Josue.
Todos os dias pensava naquele rapaz, e cada dia que o via, sentia o quanto eu era tenue e nada parecia poder fazer para ajuda-lo, a nao ser contar com minha fé de que um dia ele encontraria o caminho da lucidez e se tornaria um homem sensato, amigo como todos os rapazes de sua idade, por hora me limitava a desejar que logo esse dia chegasse.
Numa quarta-feira de muita chuva dessa que o ceu fica totalmente enegressido e de raios que podia se perceber atraves da janela de vidro, a mãe de Josue entrou na sala parecendo uma doidivana, cabelo molhado, como um pinto fugindo da chuva. Agarrou-se a mim e falou: " Dra. Josue fugiu a dois dias, ja procurei por todos os lugares, ate no IML, e nao o encontrei...me ajude Dra." Naquele momento me dei conta da nova realidade do rapaz e inerte minha mente vagou por toda a Salvador na esperança de encontra-lo. Nunca mais soubemos noticias e eu depois dos seis meses, imagino um Josue feliz, longe da sua sina insana de louco e caotico, um Josue liberto do mal do seculo: liberto da Locura!

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Um cachorro de outro mundo

Não sei nem como começar , mas tudo tem que ter um começo e em consequencia um fim...Assim a 4 anos e 2 meses atras, chegou a minha casa uma coisinha pretinha com uma mancha no peito branquinha, que dormia sem parar e nunca foi de uivar a noite, ficava quietinho. O tempo passou e ele foi crescendo, a de quem falo: do ENZO, o meu cachorro uma mistura de poodle com dachshund e que na sua infancia aprontou como qualquer chuorrinho (expressao de maneira carinhosa que o chamava) roeu sapato, derrubou plantas, subiu em cima da cama , do sofá, fez coco e pipi onde nao deveria, um cãozinho docil, que acenava o rabo quando amigos chegavam e a todo instante mostrava para nós como um simbolo de alegria. Sempre achei que meu caozinho era feliz, embora nao o levasse muito a passear, mas quando adoecia, eu me virava nos trinta para dar uma boa assistencia, pagava vacina, levava para o salão, davamos banho e sempre na hora que ele percebia, corria para debaixo da cama. A esse lugar debaixo da cama o preferido, principalmente se fazia algo inseperado, ruivava e pimpa..la estava ele debaixo da cama, quando o ralhavamos punha o rabo debaixo das pernas e se enfiava debaixo da cama. Era sua maneira de se mostrar ao mundo, de se fazer amar pelos seus donos, as peripecias de Enzo, muitas vezes nos faziam sorrir e em outras nos tiravam do serio, e partiamos para a grosseria, é, Enzo sabia..e la fugia para debaixo da cama. E debaixo desse movel, encontravamos diversos objetos, meias, copo de yorgute, osso, papelão, folhas de jornal e de papel, sei la o que ele fazia com isso, no minimo mastigasva para comer, nunca vi cão guloso, mas não era por ração, mas sim coisas que humano comia que ele adorava. Sabiam voces, que ele tomava cerveja, pois é e adorava, nao resistia quando via um copo no chao.Não posso dizer se ele gostava de criança, sei que ele se esparramava no chao quando alguem ia tocar na sua cabeça, nunca vi nenhuma criança o maltratando porisso nao sei qual seria sua reação caso acontecesse algo diferente, o que sei é que se pisasse no seu rabo ou em cima dele ele ronasva e parecia que ia morder, e se dessse ele mordia mesmo.
Sempre que viajava e deixava na casa de amigos, estes sempre me diziam que ele nao comia nos primeiros dias, depois começava a nova rotina, de todas as casa por onde passou sempre foi muito amado, mas os filhos de minha amiga Ana Claudia nossa, foi amor a primeira vista, Enzo adorava as saidas de manha para passear. Mas porque tanto falo desse cachorro, porque ele era super inteligente, e só faltava falar, nunca esqueço o seu olhar, era como se aquele cachorro fosse de outro mundo, mas como disse no começo tudo tem que ter um fim, e o dele foi SUMIR, viu uma porta aberta na casa de uma amiga e se foi...e deixou meu coração num grande arrazo. Agora fico pensando tantas coisas absurdas e relembrando os momentos mais lindos que vivemos juntos. Enzo aonde estiveres saiba que sinto muitas saudades e a cada dia que passa mais certeza terei que nao vou ve-lo mais, e que tudo que compartilhamos foi de mais pura emoção e amor, amor pelo peludinho do outro mundo. Te amo!!!

sexta-feira, 18 de março de 2011

UM DIA DE CÃO

                Existem momentos que sufocamos dentro de nós como se fossem meros equívocos. A vida não é constituída de apenas um dia após o outro, um amanhecer ou um anoitecer, mas de liberações plena de uma consciência de existir no mundo. Meditações, as vezes se faz necessário para que possamos suportar estágios de vidas que nos deixam infelizes. A mente e a inteligência vivem de mãos dadas nos conduzindo a teorias sobre nossa meta existencial, procurando nos dar um pouco de felicidade nessa efêmera existência. Diz Joseph Conrad “o espirito de um homem é capaz de tudo, porque tudo está nele, todo o passado e todo o futuro, como nosso presente”. O que Conrad admite é que existe uma determinação das coisas que estão para acontecer, assim sensações de amor, solidão, saudade estão pré-determinadas de alguma forma no espirito, e ele tem consciência de todos os acontecimentos, passado, presente e futuro.
                Para muitos é típico dizer que todo o futuro é perigoso, se avançamos demais, julgamos que jamais nos adaptaremos, imaginamos que nossos sentidos são por demais arcaicos para nossa existência. Pessoalmente tenho visto crianças e jovens demasiadamente cansadas para viver, caminhando na ociosidade,  empurrando a própria vida, que muitas vezes chego a pensar que eles não existem. Por causa disso me pego numa imbatível elucubrações sobre o sentido real da vida. Muitas vezes fico impressionado por imaginar que ela não tem sentido real, e como um rato procuro um motivo obvio para a sobrevivência da raça humana e particularmente a minha vida.
               Através da janela do meu quarto, posso ver os carros num continuo movimento, o CD de Maria Bethania em cima da estante, expõe sua foto, ela tem traços fortes, coesa, capaz de se fazer penetrar nos mais puro dos corações, com sua voz inconfundível e eloqüente. Temos necessidade de ouvir palavras fortes através da musica, pois somos homens cépticos, que vivem se empurrando uns contra os outros, numa luta imbatível contra o inevitável: a morte.
               Velhos marinheiros como eu, que não tem família, destino, referencial para chegar, para expor-se ao outro, sente a liberdade plena, somos livres individualmente, não numa liberdade inventada, destituída de destinos, somos seres que não se acomodam, buscam seus objetivos, embora pareça ao contrario aos olhos dos outros, que nossas roupas ou maneira de ser demonstrem que não conseguimos bens materiais, que tão comumente somos obrigados a buscar. Nossa liberdade estar pautada nas virtudes da paciência, do amor, da abnegação e da humildade, é isso que denominamos de bem maior. E o desenvolvimento dessas virtudes é que nos leva para a conquista desses bens espirituais, o verdadeiro bem na vida. 
                O transito barulhento, o vai e vem das multidões que caminha sem destino, um casal de namorados trocando caricias mais intimas no jardim da praça, um velho cego a mendigar,  visto daqui de cima do meu quarto, mostrava-me a diversidade humana em meu campo de visão.Velhos Marinheiros, como eu, até arriscam ser cristão, aquele velho cego, com certeza tem algo parecido comigo, ambos viviam sós e desprovidos de bens materiais.   
               Desci a escadas do prédio onde residia, em menos de meia hora estava em frente ao porto, estava com muita fome. Aristeus, outro velho marinheiro o chamou, ele varria o velho barco Juaguarema, que parecia cair aos pedaços, obedecendo ao chamado caminhou ao encontro do velho amigo e daquela banheira o qual chamava de barco. Na cozinha do barco o velho Aristeus dividiu sua comida, que nada mais era um pouco de arroz com sardinha e tomate. A pinga acompanhava a charuteada antes de ingerir qualquer comida, aquele velho fazia disso um hábito. Seu charuto era o melhor do porto, ele os contrabandeava diretamente de Havana, negocio antigo que o sustentava. Sempre que vinha a esta cidade e a esse porto, ia vê-lo, conversavam bastante, e sempre que podia dava-lhe conselhos para que abandonasse o contrabando, entretanto ele sempre dava uma desculpa esfarrapda e continuava na mesma vida. Naquele momento, vendo aquele velho sentiu medo de um dia acabar como ele. Seu jeito relaxado, sua barba branca, seus olhos azuis e uma barriga imensa que lembrava papai noel. 
-         Amanhã, irei levar a muamba até o velho cais, estou precisando de homem para o serviço, então pensei em você. Sei que andas duro, o dinheiro das férias já se foi, e ainda falta muito tempo para o recebimento de um novo salário, além de tudo  você conhece a transação, já fez isso outras vezes. Será uma ótima oportunidade, e você tira essa barriga da miséria até o próximo salário. Topas? O que achas da proposta?
-         Não sei não, tudo é muito perigoso. Ainda tem o problema da mercadoria, não sei se é perigosa.
-         Nada de tão perigoso. São perfumes, charutos e dez quilos de maconha. Aceita cara, vai ser mamata.
-         Estar certo, vou te ajudar.
- O.k., então nos encontramos as 23 horas no velho cais
         Deixei aquele barco, com uma preocupação, talvez seria melhor desistir de todo esse jogo sujo, pela primeira vez iria trabalhar de forma desonesta, conhecia o mercado porque sempre observava e tinha amigos que participavam de falcatruas, e sempre que era convidado mas resistia, agora entretanto não sabia ao certo porque tinha aceitado, iria ferir os seus valores morais, mas sentia-se momentaneamente atraído pela aventura de um suposto perigo. Realmente o velho em certo ponto estava certo, seu dinheiro tinha acabado, e como iria sobreviver por mais de um mês? Um biscate no porto é quase impossível, principalmente na sua idade, já não tinha o físico adequado, a sua musculatura já não era a mesma. Era preciso arriscar, e se a grana fosse muito boa, poderia pensar em economizar e quem sabe no futuro, montar algum negocio que o pudesse mais tarde com a aposentadoria sobreviver adequadamente .
            Aquela noite estava estrelada, o porto enfumaçado, com um nevoeiro a mostra que dava-lhe um aspecto sinistro, de terror e morte. Alguns marinheiros jogavam cartas perto de um boteco, ao longe ouvia-se musicas como Jazz e Blues. O velho Aristeus fumava seu charuto, parecia um tanto apreensivo, olhava insistentemente o relógio. A velha banheira com o motor ligado esperava pela minha presença, era necessário dois homens para o trabalho, por se tratar de uma grande encomenda, muita mercadoria, mas a grana maior vinha do trafico da maconha. O Juaguarema navegava até um pequeno Iate distante na costa. Aristeus com seu charuto vez por outra dava uma baforada, observava o movimento no porto, que ficava cada vez mais distante. Ao leme eu, velho marinheiro, fazia minha lição perfeitamente, navegava com aquela banheira velha, temendo que aquela aventura acabasse mau. A luz que vinha do Iate iluminava o mar a medida que  aproximavam-nos, podia-se ouvir o som das ondas a debater-se no casco do barco. Alguns homens esperavam na proa e assobiavam uma velha canção do mar. Um homem alto com enorme bigode, parecia ser o chefe, falava alto dando algumas ordens.
       -         Trouxeram a mercadoria?
                       Gritou Aristeus, jogando a corda para que os homens pudesse amarra-la em algum lugar. O homem respondeu positivamente, mas era necessário ir até o chefe que esperava na ponta da costa numa ilha, e ele queria com urgência. Num mesmo instante alguns homens transportavam com facilidade toda aquela mercadoria para o velho barco, nos olhavam desconfiados, com se tivessem certeza que poderíamos denunciá-los. Entretanto estava eu, tornando-me um igual a eles, mas que o destino e minha opção tinha mudado todo o percurso de minha vida, mas havia certa confiabilidade, mesmo porque estávamos na mesma situação, encrencados. Repentinamente lembrei-me de Carlito, era um jovem amigo, que me chamava de guru, pela maneira como vivia e como falava sobre a vida, um belo guru tinha me tornado, metido com contrabandistas. Como poderia me designar espiritualista, esotérico, capaz da meditação que sempre preenchia minha vida existencial? Como poderia encarar-me, podia até parecer fisicamente com um guru, mas ser, era algo agora impossível. Diziam que a meditação é algo capaz de tornar o ser muito supremo, que pode-se chegar até Deus, muito facilmente, agora eu tinha a impressão que não conhecia a mim mesmo, ali surgira um eu diferenciado, capaz de fazer o mau, como se uma nova personalidade se apropriasse do meu corpo, e que eu não a conhecia.
                   O barco Juaguarema seguia agora ao seu destino, algum ponto de uma ilha, um desconhecido esperava por sua carga e com ordens para o seu destino final. Aristeus parecia contente, feliz da vida que levava, parecia ser a primeira operação sem grandes problemas ou complicações, cantarolava uma musica e vez por outra falava do suposto chefe ao qual íamos ao encontro daqui aproximadamente umas duas horas. Meu coração apertava a cada minuto que o tempo passava, parecia que não conseguia chegar até o fim daquela história.
  -         Então, velho amigo, amanhã terás um bom dinheiro para gastar e guardar se quiseres.
-         Você nem imagina como estou arrependido, nunca imaginei que pudesse a cometer esse erro. Logo eu cheio de valores.
-         Não se recrimine amigo, o que estar feito estar feito, mas convenhamos você precisava de ação e de dinheiro na sua vida, de mais a mais será apenas uma vez, e pronto. Não se puna.
-         Esse é meu medo, que seja apenas uma febre inconseqüente, e Deus queira que não se torne um hábito, e sinceramente já espero que Deus me perdoe pelo pequeno deslise, pois eu mesmo já havia me condenado.                                                                                      
                 A ilha parecia deserta, o barco ancorou e o Aristeus pediu sua ajuda para descarregar a muamba, o estranho era que na praia não havia sinal de uma viva alma, aquilo de certo modo me inquietou, mas descarregamos toda a mercadoria na areia, e o velho amigo saiu com sua lanterna na mão a procura de alguém, emitindo um código através da sua lanterna, expressando  nessa linguagem que tudo estava bem aos contrabandistas. Silêncio total, aquilo cada vez mais inquietava-me, a ilha parecia totalmente deserta, insistentemente Aristeus continuava emitindo seus sinais luminosos, deu alguns passos, quando ouviu uma voz firme, que gritou bem alto:
-         O Sr. estar preso, é a policia. Não tente nada precipitado.

                 Ao ver aquela cena à distancia, imaginei do que se tratava, rapidamente corri para o barco e liguei o motor, distanciando-me da praia, naquele momento só pensava em salvar  a minha pele, ouvi ao longe som de tiros disparados, e vi alguém correndo na praia, não  podia ter certeza, mas parecia o velho amigo e logo em seguida  o corpo caia ao chão. Entretanto imaginava que tudo aquilo  fosse um sonho e que o velho amigo estaria em algum lugar a salvo. Daqui a pouco estaria a salvo no porto, e toda aquela aventura seria um fato do passado, dando-me a certeza definitivamente que o crime não compensa, prometia a mim que este seria o ultimo ato indigno que cometeria, e amanhã  sairia pelas ruas, veria as vitrines, olharia as mulheres bonitas, minha liberdade estava preservada. O que não conseguiria esquecer seria o rosto do velho Aristeus e seu triste fim.

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

CONSTATAÇÃO

O que descrever desse sentimento que doí na alma, que mostra minha fragilidade diante da vida?
E o que é viver? Não compreendo, parece que são ações da vida diária,  ações banais...são meros atos? Que atrelados a eles, as estas atitudes estão uma energia invisível quem dita as açoes, que impulsiona a resolutividade do que desejo, e de como quero existir. É como se fosse um gás, como a energia vinda dos fios ate o abajú da sua casa, ela que determinará o brilho da luz que ele reproduzirá.
Acordo de mal humor ou será tristeza exagerada, não diria de mal humor, porque não trato ninguém mal no tanscorrer do dia, e nem fico com a cara de boi bravio a ponto de atacar o toureiro na arena. Na verdade é a tristeza, ela que vem me rondando a dias, que me faz repensar no meu agir, na minha vida e no que estou fazendo com ela.
Muitas pessoas não curtem a tristeza, eu diria que sou o avesso a essas pessoas, porque na tristeza, é que posso enxergar-me claramente, posso ver o mal que faço a mim e que permito que façam. Só ela é capaz de me conscientizar de que nada está certo, que é preciso mudar, levantar a cabeça, olhar para frente,  e sentir que na vida ainda há esperanças, sim, esperanças de ser feliz, de sentir o que tanto tememos o AMOR. Não falo de sexo, de coito, falo de amor, uma coisa inexplicável e magica que invadi o espírito e quando menos se espera está lá. Inexplicavelmente sorrimos, falamos com todos, vemos a cor de cada raio de sol e nos dias chuvosos amamos o cheiro da terra molhada e de toda a chuva que cai. Dai ouvimos o que dizem por ai : ei..voce o que aconteceu? voce ta de bom humor hoje. Na verdade voce conseguiu sair do seu cotidiano, da sua rotina, com apenas uma centelha dessa energia, que cá entre nós é tão difícil de ser retida...
Hoje posso dizer que estou num estado de tristeza, e esta  faz com que eu repense minha vida, minhas emoções que prezo tanto, e de quanto admiro a força interior que possuo para continuar, para não desistir, de criar mais e mais afeto, mesmo que o umbral esteja ali a minha porta.
Quero expressar uma pequena cena vivida agora a tarde por mim, não sei se é relevante contar, mas estou com vontade e faço tudo pelo impulso, sou movida por ele, um grande defeito meu, afinal quem não os tem? Isto não significa que queira justificar, mas apenas constatar e quem sabe mudar isso. Como dizia, estava resolvendo um problema de trabalho, algo grave e serio , que dependia de mim, após todas as providências tomadas, já indo embora, a mãe desesperada que encontrava-se comigo, a qual eu estava tentando resolver um dos seus problemas, me disse a seguinte frase: " se acontecer algo comigo, voce promete tomar conta do meu filho, de orienta-lo, eu confio em voce", inquirir: nada vai acontecer com voce, e tenho certeza que tudo se resolverá. Me despedi e fui embora, mas aquela cena e aquelas palavras me perseguiram, ainda estão aqui na minha cabeça. Pensei, então, será que ela vai fazer algo insano? Deus permita que não, mas esta senhora tem vivido muito sofrimento e na sua condição, alguém fraco já teria dado um fim a tudo. Por outro lado, penso porque Deus mandou esse recado para mim, afinal o que terei de fazer. Não sei mesmo...
Tenho tentado repensar tudo e escolher o melhor para mim, ouço opiniões, mas tenho certeza que somente aquela que falara do fundo da minha alma, será a resposta correta.
A Deus peço sabedoria, discernimento e AMOR, afinal apesar da idade, me sinto tão pueril e sem saber como conduzir minha vida, mas sei que a resposta virá e o que sinto agora nestes dias serão o alicerce do meu amanhã.